sábado, 15 de outubro de 2011

O Ultimo folgo do coração

Hoje decidi que ia colocar em palavras escritas o que está dentro de mim á muito tempo, o que prende a minha alma, o meu ser, essas amarras que eu chamo de amor, dor e sofrimento, do qual espero alivio que teima em tarde chegar.

Depois de muito pensar julgo ter encontrado a razão (ou razões) de tanto amar-te.

Bem eu quero continuar a amar-te, não te quero perder, nem quero continuar a fugir de ti, mesmo que não estejas sempre comigo, ou mesmo que ames uma outra pessoa, porque tens que ser feliz. Mas eu quero amar-te com a minha alma liberta com a minha alma sossegada, quero amar-te com um amor diferente, com um amor de amigo, com um amor de alguém que te quer muito bem.

Tudo começou, julgo eu com os meus sonhos de como seria a minha vida no futuro, isso quando eu tinha 14 anos.

Eu na altura era um rapaz com muita pouca auto-estima, sempre a pensar que era feio, e que ninguém iria gostar de mim.

Mas com o tempo fui adquirindo auto defesas que me ajudavam a gostar mais de mim, e não me importando muito com o que outros pudessem pensar sobre mim. Mas era um pouco difícil, porque eu gostava de como era, mas a questão era se realmente os outros gostariam.

Nesta fase, o que ajudou neste processo difícil foram os poemas, e um dos poetas que eu mais gostava era o Bocage, gostava da forma que ele escrevia a forma de como colocava as palavras para relatar as situações que ele vivia, embora não gostasse muito da forma triste que ele levava a vida.

Bocage gostava muito das mulheres de cabelos pretos e de olhos verdes, ele dizia que todos homens preferiam sempre as loiras que ás morenas, mas que ele não.

Eu concordava totalmente com ele, as morenas tinham um encanto especial, o cabelo, a cor de pele e terem olhos verdes eram a mais pura das belezas. E esse era o meu sonho encontrar a doce morena de olhos verdes que resgatasse o meu coração e eu seria seu eternamente.

Lembro-me que nessa altura te conheci, e o que poderia ser mais belo? Do que a tua simples beleza, a tua pele o teu sorriso o teu cabelo e os teus olhos verdes deveras encantadores. Mas no meu pensamento eu era um simples rapaz que nem por ti seria notado.

Mas ganhei coragem e apresentei-me na esperança de ser notado. Fiquei com o teu nome gravado na mente, M A R.

O meu olhar já não conseguia se desviar de ti tinha ficado enfeitiçado, preso á tua beleza.

Esta foi a primeira impressão que tive, mas com o continuar do tempo, à medida que te ia conhecendo como pessoa, ainda fiquei mais encantado, és uma pessoa determinada, mas ao mesmo tempo frágil, és uma pessoa que gostavas de estar alegre, mas ao mesmo tempo sentia que eras triste, solitária, eras uma pessoa amiga pronta a ouvir, mas ao mesmo tempo não falavas muito, gostavas muito da tua família, eras meiga pronta para demonstrar a tua amizade.

O teu sorriso a forma como me olhavas. Tudo isso fez com que te amasse ainda mais. E era bom amar-te, ver-te, sentir que estavas perto de mim, embora nessa altura ainda não namorasses comigo, mas eu andava atrás de ti literalmente.

Esse período foi de aproximadamente dois anos, eu não era correspondido por ti, embora sentia que gostavas muito de mim como amigo, e isso já era uma vitória pois eu te amava.

Quando eu já tinha decidido que não mais iria tentar namorar contigo, que te ia esquecer, não como pessoa e nem como amiga, mas que te ia esquecer no meu coração, deixar de te amar de forma romântica, eis que tudo mudou, e esse foi um dos dias mais felizes da minha vida, tu pediste para repetir o pedido de namoro.

Mas eu estraguei tudo com os meus medos, a minha insegurança, passei a pensar que tu apenas estavas a namorar comigo por pena, que gostavas muito de mim como amigo e querias verme feliz, e por isso falaste-me em namorar contigo.

Como eras uma pessoa reservada no que pensavas, e pouco falavas dos teus sentimentos a minha insegurança foi aumentando.

Até que chegou o dia mais triste da minha vida, o pensares em ir para o Luxemburgo.

Eu pensei que era um sinal da tua parte a dizer-me que não querias mais namorar comigo, mas que não tinhas coragem de do fazer. E como via que andavas triste, pensei que nunca ia conseguir fazer-te feliz.

Então num acto que agora sei que foi de egoísmo e não de altruísmo, propus acabar com o namoro, pensando que assim serias mais feliz e que eu me ia aguentar, mesmo sentindo um aperto enorme no meio peito. Cheguei a pensar que ia sufocar, pois até mesmo o respirar era doloroso.

Tive que fugir de ti para não sofrer ainda mais, decidi não te ligar, não escrever, para ver se te esqueceria.

E parecia que estava a funcionar, até porque algum tempo depois começou a aparecer uma amiga,  minha esposa agora, na minha vida. Eu estudava e a Susana também, ela começou a aparecer na minha escola e falar comigo, e como eu ainda não estava com a minha alma em dor, fui desabafando com ela os meus sentimentos, ela era a única pessoa que me ia ouvindo, me compreendendo, e ficando cada vez mais minha amiga.

Com o passar do tempo parece que te estava a esquecer, e já conseguiria de novo amar. Comecei a namorar, era a mulher que eu apreciava e que agora amava, a minha felicidade tinha voltado, decidimos nos casar.

Depois de cinco anos de casamento decidi que estava preparado para falar contigo e ser teu amigo, isto porque me tinha lembrado de ti muitas vezes e sentido saudades do teu sorriso e de tua amizade, ainda fazias falta na minha vida.

Então chegou o momento que falei contigo e o dia em que te vi de novo, esse dia foi muito difícil pois o chão como que saiu literalmente debaixo dos meus pés, e eu cai na realidade que ainda não te tinha esquecido e que meu coração estava preso a ti.

Mas tinha um dilema, eu estava casado com a pessoa que cuidou de mim, me apoiou me deu toda a sua vida. E também eu não podia te dizer a verdade de que ainda te amava e que não consegui te esquecer, porque isso podia ser brincar com os teus sentimentos e eu não sabia se teria forças para abandonar a minha esposa e isso poderia fazer-te sofrer.

Por isso decidi de novo continuar com a minha vida e tentar esquecer-te, pensando que todos nós de uma forma ou de outra fazemos sacrifícios na nossa vida. E eu amo a minha família os meus filhos e quero que eles se sintam sempre bem e sejam verdadeiramente felizes.

Mas o tempo não aliviou a dor que queima no meu peito sempre que me lembro de ti, pois eu sei que ainda te amo, não espero ser correspondido, porque sei que agora estás feliz, e eu fico feliz por isso de verdade.

Mas eu quero o alivio desta dor que sinto, e a única forma, é não fugir mais de ti, do que sinto e tentar inverter este sentimento, para o sentimento de amizade, de amor de amigo.

E por isso acho que temos que falar pessoalmente, sem medo, sem preconceito. Pois tu és uma pessoa muito valiosa na minha vida. E serás sempre assim haja o que houver.

Só vale a pena sonhar, se tiveres a certeza que a outra pessoa com quem sonhas, também sonha contigo. E não passares a amar apenas porque sonhas. Esta foi a lição, da qual já não posso fugir.

 Que este seja o Ultimo folgo do meu coração de amor por ti.

    

1 comentário:

  1. Meu caro amigo, ao ler as tuas palavras não pude deixar de apreciar a forma sincera e dolorosa como abres o teu coração. Lamento imenso que tenhas passado a vida "escondido" e afastado de quem mais e realmente amaste na tua vida. Espero que o tempo se encarregue de fazer alguma Justiça e finalmente permitir que tal como Bocage, ainda vás a tempo de ter a tua musa de olhos verdes...! Há sacrifícios que terás de ponderar, mas na vida nada é fácil, há sempre um preço a pagar...

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